terça-feira, 18 de março de 2025

Ordenamento Turístico: o caminho para um turismo sustentável no Brasil

Por Maicon Dimbarre e Fernanda Tainã Castro

O Brasil é um país de dimensões continentais, repleto de destinos incríveis que atraem turistas do mundo inteiro. No entanto, o crescimento do turismo sem planejamento pode gerar impactos negativos irreversíveis. Superlotação, degradação ambiental e infraestrutura precária são apenas algumas das consequências da falta de ordenamento turístico.

Para enfrentar esses desafios e mostrar que existem soluções viáveis, criamos o Projeto Ordena Brasil. O objetivo é trazer à tona boas práticas que já estão sendo aplicadas no Brasil e provar que o ordenamento turístico não é um entrave, mas sim um caminho para o desenvolvimento sustentável dos destinos, explica Maicon Dimbarre.

“Nesta semana, iniciaremos a websérie de entrevistas com a Chapada dos Veadeiros, um destino que recentemente implementou a Taxa de Conservação Ambiental (TCA). A Chapada é um exemplo de como uma política pública pode ajudar a organizar o turismo e garantir recursos para manter a infraestrutura e a preservação ambiental”, destaca Fernanda Tainã Castro.

O impacto do turismo desordenado

O crescimento desordenado do turismo gera uma série de problemas que afetam tanto a experiência dos visitantes quanto a qualidade de vida das comunidades locais. Se um destino não estiver preparado para receber um grande volume de turistas, ele pode acabar colapsando, alerta Maicon.

Isso já aconteceu em vários lugares no Brasil. Em destinos com alta demanda, o aumento do fluxo turístico sem controle gera sobrecarga nos serviços públicos, degradação ambiental e até mesmo conflitos entre moradores e empresários do setor.

O turismo precisa ser visto como uma atividade econômica que exige planejamento e gestão, e não apenas como um fluxo espontâneo de visitantes, reforça Fernanda.

Alguns exemplos de ordenamento que deram certo

Felizmente, já temos diversos exemplos no Brasil de destinos que adotaram estratégias eficientes de ordenamento turístico. Algumas dessas medidas incluem a implementação de taxas ambientais, controle do número de visitantes e criação de sistemas de gestão integrada.

  • Bonito (MS): pioneiro na implantação do voucher digital, que limita o número de turistas nos atrativos e garante a preservação das águas cristalinas.
  • Fernando de Noronha (PE): a Taxa de Preservação Ambiental financia projetos de conservação e infraestrutura.
  • Jericoacoara (CE): a Taxa de Turismo Sustentável garante investimentos em infraestrutura e preservação da vila.
  • Jalapão (TO): a Taxa de Turismo Sustentável ajuda a manter os atrativos naturais e incentiva a valorização da comunidade local.
  • Lençóis Maranhenses (MA): implementaram o voucher digital para controlar o fluxo de visitantes no Parque Nacional.
  • Bombinhas (SC): aplica a Taxa de Preservação Ambiental na alta temporada para manter as praias conservadas.
  • Chapada dos Veadeiros (GO): recentemente instituiu a Taxa de Conservação Ambiental (TCA), garantindo que o turismo contribua para a manutenção do destino.
  • Nobres (MT):  o destino turístico implementou um voucher digital, SGS – Sistema de Gestão de Segurança e o Fumtur – Fundo Municipal de Turismo, garantindo a arrecadação de recursos, organização da visitação e a preservação de seus principais atrativos.

“Essas iniciativas mostram que, quando há planejamento e boa gestão, o turismo pode crescer de forma sustentável, gerando benefícios para todos”, enfatiza Maicon.

O futuro do turismo no Brasil

“O Projeto Ordena Brasil tem um compromisso com a divulgação dessas boas práticas e com a conscientização sobre a importância do ordenamento turístico. Nossa missão é conectar gestores, empresários e profissionais do setor para trocar experiências e incentivar a aplicação dessas estratégias em outros destinos”, explica Fernanda.

“Toda quarta-feira, às 20h, realizamos uma live no YouTube e Instagram, trazendo entrevistas com especialistas e gestores de destinos turísticos. Queremos que mais pessoas entendam que o ordenamento turístico não é burocracia, mas sim um mecanismo essencial para garantir um turismo sustentável e de qualidade”, reforça Maicon.

Acompanhe as transmissões e participe desse movimento:

YouTube: @maicondimbarre
Instagram: @maicondimbarre | @fernandatainacastro

O que é ordenamento turístico?

O ordenamento turístico é um conjunto de estratégias e políticas voltadas para a organização do fluxo de visitantes em um destino, garantindo que a atividade turística seja sustentável e gere benefícios para a comunidade local, empresários e turistas. Ele envolve medidas como controle de acesso a atrativos, regulamentação de atividades turísticas, implementação de taxas ambientais e investimentos em infraestrutura. Quando bem aplicado, o ordenamento turístico preserva os recursos naturais e culturais, melhora a experiência do turista e impulsiona o desenvolvimento econômico dos destinos.

Sobre os autores

Maicon Dimbarre é estrategista e consultor especializado em planejamento e ordenamento turístico, com mais de 15 anos de experiência no setor. Já atuou em mais de 52 municípios brasileiros, desenvolvendo políticas públicas e estratégias de fortalecimento de destinos. Foi Secretário de Turismo em Mateiros (Jalapão), onde liderou projetos inovadores como a implantação de vouchers digitais. Com passagem pelos Estados Unidos pela National Tourism Association, é especialista em desenvolvimento territorial e inovação no turismo.

Fernanda Tainã Castro é consultora e empresária do setor de turismo, com ampla experiência em gestão de atrativos turísticos, hotelaria e agências de viagens. Atuou como Superintendente de Turismo do Estado do Tocantins. Especialista em planejamento e desenvolvimento de destinos, atua na implementação de políticas públicas e ordenamento turístico em diversas regiões do Brasil. Seu foco é a sustentabilidade e a inovação no setor, garantindo experiências autênticas e estruturadas para turistas e empreendedores.

 

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